Profissionais enfrentam muitos desafios para levar informação ao telespectador

Em comemoração aos 36 anos da TBC, matérias especiais sobre a história deste canal

Na década de 70, os jornalistas da TV Brasil Central precisavam driblar as dificuldades técnicas e a estrutura precária para colocar os telejornais no ar. A emissora ficava no prédio do Consórcio de Empresas de Radiodifusão e Notícias do Estado – Cerne, na Vila Nova, onde funcionava de forma improvisada porque a sede não havia sido projetada para abrigar uma TV. No começo, a redação não tinha sequer móveis básicos para a equipe trabalhar. “Nós empilhamos caixotes de madeira para fazer as mesas para colocar as máquinas de escrever. Os caixotes também serviam de banco porque não existia cadeira na redação”, recorda Laurenice Noleto, primeira editora de texto da televisão.

O estúdio também funcionava na base do improviso, sem ar condicionado, nem ventilador. Cassim Zaidem, um dos primeiros apresentadores da emissora, se diverte ao contar como era a rotina dos profissionais naquele tempo. Segundo ele, os apresentadores precisavam se esforçar para suportar o calor durante os programas.  “Não existia luz fria, quando os cinegrafistas ligavam os refletores nós suávamos como tampa de cuscuz, tínhamos que ficar com uma caixa de lenço de papel para enxugar o suor nos intervalos e terminávamos o jornal com a camisa molhada. Era um exercício muito grande para ler, sorrir e suar.”, lembra Cassim.

Outra curiosidade da época era a falta de roupas para os apresentadores. Cassim Zaidem dividia a bancada do Jornal Bandeirantes – Edição Local com Roberto Gonçalves e afirma que eles  tinham apenas dois blazers e três gravatas para usar no estúdio. “Nós fazíamos um revezamento, eu ficava com um blazer e ele usava o outro. No dia seguinte, nós trocávamos, era muito engraçado”.

No começo dos anos 80, a televisão já estava um pouco mais estruturada, com condições técnicas para acompanhar acontecimentos importantes para o País. Ao registrar fatos do dia a dia, os profissionais ajudaram a contar parte da história do Brasil. A cobertura do comício das Diretas Já, realizado em Goiânia em 1984, foi um dos maiores desafios enfrentados pelos jornalistas que trabalharam na TBC naquele período.

Ilza Silveira estava começando na reportagem e não conseguira ter acesso ao palco montado na Praça Cívica, onde estavam políticos como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e Fernando Henrique Cardoso. No meio da multidão, ela teve que se esforçar muito para conseguir fazer a matéria. “Eu era muito inexperiente e o evento muito grandioso. Como não conseguia chegar ao palco para gravar as entrevistas, fiquei nervosa e comecei a chorar”, conta Ilza.

Os fatos políticos ocorridos em meados dos anos 80 também marcaram a carreira de Kátia Barreto na reportagem da TBC. “Foi muito bom participar da cobertura das Diretas Já porque era o começo de uma abertura política no País, de esperança de dias melhores. Depois, quando Tancredo Neves morreu, nós acompanhamos tudo muito de perto, fazendo reportagens em Brasília e em Minas Gerais”, destaca Kátia Barreto (foto).

O cinegrafista Washington Soares guarda muitas lembranças dos 29 anos em que trabalhou na emissora. Em 1991, ele e a repórter Mariza Santana acompanharam a chegada do Papa João Paulo II  no Aeroporto Santa Genoveva. “Foi uma cobertura muito boa, mobilizou várias equipes. A TV transmitiu a visita ao vivo e tudo saiu como o planejado”, diz Washington Soares.

A visita do Papa também está na lista de matérias mais importantes da carreira de Mariza Santana (foto). Ela diz que chegou a ficar emocionada ao ver João Paulo II. Nos 15 anos de reportagem na TBC, a jornalista também destaca a cobertura da promulgação da Constituição de 88, em Brasília, e as reportagens sobre o acidente com o Césio 137. “A cidade toda estava abalada porque era um fato desconhecido, nós não tínhamos noção do risco que estávamos correndo durante as reportagens”, afirma Mariza.

As equipes da televisão sempre acompanharam o governador nas viagens ao interior do Estado. Uma forma de mostrar as ações do governo e, ao mesmo tempo, retratar o desenvolvimento de Goiás. Muitas vezes, o trabalho é cansativo porque os profissionais precisam percorrer várias cidades em um único dia. Mas, para Maria do Rosário Mesquita, essa foi uma das coberturas mais interessantes durante o período em que trabalhou na reportagem da TBC. “Eu gostava de acompanhar o governador no interior porque considerava que estava participando da história do Estado, via fatos importantes acontecerem. Era muito bom”, frisa Mesquita.

Para muitos jornalistas que passaram pela TBC, a produção de matérias especiais foi um dos trabalhos mais interessantes da carreira. Lúcia Camilher, que trabalhou 25 anos televisão, destaca a série sobre as cerimônias religiosas da cidade de Goiás que antecedem a Procissão do Fogaréu.  “Uma equipe nossa ficou dois meses lá acompanhando toda a programação das igrejas antes da Semana Santa. Depois, as imagens foram utilizadas no vídeo que ajudou a cidade de Goiás a receber o título de Patrimônio Histórico da Humanidade”, ressalta Lúcia Camilher.

Centenas de profissionais passaram pela emissora nesses 36 anos. Em alguns momentos, eles tiveram que improvisar e, em outros, contaram com boa estrutura de trabalho. Por trás das câmeras, produtores, editores e técnicos enfrentaram uma rotina puxada para colocar os programas no ar. No estúdio e nas ruas, apresentadores, repórteres, cinegrafistas e auxiliares também tiveram que vencer muitos desafios para levar informação ao telespectador. Independente do tempo de trabalho, todos ajudaram a construir a história da Televisão Brasil Central.

Noticias de Goías.

 

 

Adicionar Comentario

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.