Projeto Acervo homenageia a história do rádio com 20 encontros gratuitos no Rio

As vozes que marcaram gerações de brasileiros, os programas que reuniam famílias em torno do rádio e as histórias de bastidores de uma das mídias mais populares do país serão tema do Acervo, projeto que promove 20 encontros gratuitos no Teatro Bangu Shopping, na Zona Oeste do Rio.

A programação começa neste domingo, 18 de outubro, às 14h, e segue até 10 de dezembro, com entrevistas, música, convidados especiais e episódios gravados com plateia e transmitidos ao vivo pela internet.

A estreia será dedicada às rádios FM dos anos 1980, período em que as emissoras conquistaram espaço na rotina dos jovens e ajudaram a definir a trilha sonora de uma geração. A transmissão poderá ser acompanhada pelo canal do projeto no YouTube.

Idealizado por Fernando Campos, da Prismah, em parceria com a Brain+, o Acervo é apresentado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, e pelo Teatro Bangu Shopping.

Antes da televisão se popularizar e muito antes da internet e dos celulares, o rádio era uma das principais formas de os brasileiros acompanharem notícias, novelas, transmissões esportivas e lançamentos musicais. O veículo revelou artistas, criou ídolos populares e ajudou a transformar sambas, marchinhas e canções de rock em parte da memória cultural do país.

É essa trajetória que o projeto pretende recuperar, reunindo profissionais que fizeram história e aproximando diferentes gerações de ouvintes.

— O rádio sempre teve uma capacidade extraordinária de criar vínculos com as pessoas. Ele entrou nas casas dos brasileiros, revelou talentos, acompanhou grandes acontecimentos e fez parte da vida de gerações. E continua se reinventando, mesmo com tantas mudanças na forma de consumir informação e entretenimento — afirma Fernando Campos, sócio da Prismah, idealizador e diretor-geral do projeto.

Campos começou a carreira no rádio aos 18 anos, na década de 1980, e participou do lançamento da CBN.

Rádio Nacional completa 90 anos

A temporada coincide com datas importantes para a história da radiodifusão brasileira. Em setembro, a Rádio Nacional completou 90 anos.

Inaugurada em 1936, na Praça Mauá, no Centro do Rio, a emissora se tornou um dos símbolos da chamada Era de Ouro do rádio, com auditórios lotados, fã-clubes, radionovelas de grande audiência e programas que marcaram época.

Entre os destaques de sua trajetória está o Repórter Esso, que durante quase três décadas foi uma referência do jornalismo radiofônico brasileiro.

Outra data comemorativa é a dos 35 anos da CBN, completados no início de outubro. Criada em 1991, a emissora ajudou a consolidar no país o modelo de rede de rádio dedicada integralmente ao jornalismo, demonstrando a capacidade de adaptação do meio de comunicação.

De Edmo Zarife a Chacrinha: as vozes que fizeram história

A programação do Acervo percorre diferentes fases do rádio carioca e nacional. Além das emissoras que marcaram época, os encontros vão abordar comunicadores, cantoras populares, a relação entre o rádio e o futebol e o papel das FMs na formação cultural dos jovens.

As rádios comunitárias também terão espaço, com histórias de emissoras que mantêm uma relação próxima com os moradores e ajudam a dar voz às comunidades.

Os episódios combinam entrevistas, relatos de bastidores e música para recuperar personagens e momentos importantes da história do veículo.

Em outubro, sete encontros abrem a temporada. Depois da estreia dedicada às FMs dos anos 1980, o dia 21 terá duas sessões: uma sobre a FM Musical Rio e outra sobre as rádios comunitárias.

No dia 26, a programação homenageia Edmo Zarife, conhecido pelo bordão “Brasil-sil-sil” e por sua contribuição à sonoplastia radiofônica. No dia seguinte, será a vez de Chacrinha, que começou a carreira no rádio antes de se tornar um dos grandes nomes da televisão brasileira.

A cantora Elizeth Cardoso, conhecida como a Divina e considerada uma das grandes intérpretes da música brasileira, será tema do encontro de 28 de outubro. A programação do mês termina no dia 29, com uma homenagem aos grandes comunicadores do rádio.

Sonoplastia, podcasts e os novos caminhos do áudio

O projeto também propõe uma reflexão sobre as transformações do rádio e as possibilidades de produção de conteúdo na era digital. Entre as atividades estão uma oficina de sonoplastia, dedicada à criação de ambientes, personagens e narrativas por meio dos sons, e uma palestra sobre produção musical nacional.

A programação inclui ainda quatro podcasts, que serão disponibilizados em plataformas digitais. Os conteúdos vão abordar as mudanças provocadas pela chegada da internet e do streaming, além das novas formas de produzir e distribuir material em áudio.

A iniciativa conta com um convênio com a Unisuam, envolvendo alunos e professores da instituição na pesquisa e na produção dos episódios. A parceria busca aproximar estudantes e profissionais experientes da comunicação, conectando diferentes gerações em torno da memória e do futuro do rádio.

Realizado em Bangu, na Zona Oeste, o Acervo leva ao público uma programação cultural gratuita que combina entretenimento, informação e preservação da memória. A proposta é aproximar quem acompanhou os grandes programas radiofônicos de quem hoje consome notícias, música e podcasts pelo celular.

Os 20 episódios terão entrada gratuita, com intérpretes de Libras em todas as sessões e audiodescrição em datas selecionadas.

Programação de outubro

18 de outubro, domingo, às 14h: Anos 80 — o rádio que embalou uma geração.
21 de outubro, quarta-feira, às 11h: FM Musical Rio.
21 de outubro, quarta-feira, às 14h: Rádios comunitárias — o rádio do bairro.
26 de outubro, segunda-feira, às 14h: Brasil-sil-sil — Edmo Zarife e a sonoplastia.
27 de outubro, terça-feira, às 14h: Memória Chacrinha.
28 de outubro, quarta-feira, às 14h: Elizeth Cardoso, a Divina.
29 de outubro, quinta-feira, às 14h: Grandes comunicadores do rádio.

Transmissões ao vivo pelo canal do projeto no YouTube

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